Sobre o Anacronismo de Certos Textos

Como a descrição do site diz, ele foi fundado dia 07/12. No entanto, alguns textos possuem a data de publicação anterior a fundação do site e o motivo é bem simples: Foram textos elaborados na cadeira de Jornalismo Opinativo. Aliás, foi por influência desta cadeira e, principalmente do professor- que enxergou qualidade e potencial de publicação nos meus textos que eu iniciei este site.

Bem, agora tudo está explicado. Mas como ninguém entra aqui isso foi só uma justificativa para mim mesmo. Espero que algum dia sirva para outra pessoa.

Hang: O Loki Brasileiro

Vestindo verde e amarelo, ele chega causando confusão. Por mais imponente que seja, sua arma está ao alcance dos dedos, ou melhor, da língua de qualquer mero mortal. Poderia ser Loki, deus nórdico da mentira, que virou um grande vilão das HQ’s e ultimamente do cinema. Mas estou falando de Luciano Hang, dono da rede de lojas Havan, que além das cores de sua vestimenta, chegou no município causando confusão e, sua principal arma para isso foi a mentira.

 Segue abaixo uma análise de três declarações proferidas pelo bilionário na inauguração da sua loja no município.

1°: Universidades doutrinam alunos para que eles sejam contra os empreendedores, contra quem gera emprego.

A Havan em Santa Maria vai gerar cerca de 150 empregos na cidade. Esta é uma ótima notícia, mas, a AGITEC (Agência de Inovação e Transferência de Tecnologia) gera o mesmo número de postos de trabalho. São 150 funcionários, com a missão de “Promover o empreendedorismo e a transformação do conhecimento científico e tecnológico em desenvolvimento sustentável e a sua proteção”. Como diz o site da agência. Iniciativas como as da AGITEC fazem com que a UFSM figure entre as dez universidades mais empreendedoras do país.

2°: Universidade formam zumbis comunistas que não gostam de trabalhar e que não gosta de quem trabalha.

Creio eu, como universitário, que todos os que ingressam na universidade o fazem com o objetivo final de conseguir um emprego. Os estudantes de medicina, direito, das engenharias, de história, de filosofia, de matemática, etc.… todos possuem esse desejo. Os estudantes de jornalismo, como eu, também possuem esse objetivo. O que eles não possuem é o emprego em si.

3°: Quanto mais se estuda numa universidade federal, mais idiota se fica.

Para rebater essa afirmação, vou voltar a citar a AGITEC aqui e seus 150 funcionários, que são os responsáveis, atualmente, pelo desenvolvimento de 64 patentes- (tecnologias desenvolvidas aqui e que só a universidade possui direito de uso) e os softwares e aplicativos que também estão sendo desenvolvidos na AGITEC. Os estudantes de desenho industrial desenvolvem produtos que poderiam estar nas prateleiras de lojas requintadas, como as mesas de modeco, a estação de trabalho multifuncional para cozinha, patinete para pessoas com nanismo, cadeira com reutilização de persianas, clips para rédeas de cavalo, entre outros. Uma peça bem interessante é o elemento vazado de múltiplas configurações, que pode ser usada em arranjos arquitetônicos de várias formas diferentes. Fica uma boa dica para a decoração da Havan em Santa Maria, pois a estátua da liberdade já está bem manjada. Um último exemplo e, este bem recente foi a descoberta do fóssil de um dos dinossauros predadores mais antigos do mundo, descoberta realizada pelos pesquisadores da UFSM com pesquisadores de outras instituições. Poderia ficar me alongando por horas para citar como a universidade é referência e ensino e pesquisa, mas o fato da universidade figurar entre as 50 melhores da América Latina fala por si mesmo.

Considerações Finais

Como citei no começo, foi Luciano Hang que elegeu a universidade como inimiga, a instituição estava preocupada com coisas muito maiores que um varejista com um senso de moda cafona, estava preocupada com a sua sobrevivência. Mesmo assim, inúmeras pessoas demonstraram ojeriza às calúnias proferidas por Hang e defenderam a UFSM como patrimônio maior de Santa Maria, o que é um fato incontestável. Seja pelos quase 5 mil empregos diretos que a UFSM gera correspondem a 25% do PIB do município,seja pelos quase 30 mil alunos que moram na cidade para estudar na UFSM. Esses alunos e funcionários formam um contingente imprescindível para movimentar a economia da cidade. Além das cifras, todos os santa-marienses concordam que sem UFSM, a cidade não deteria título de cidade cultura. Se não fosse o maior polo educacional do interior do estado, provavelmente a cidade seria apenas um ponto de passagem para os apreciadores de ferrovias antigas.

Considerando a importância da universidade para a economia da cidade, não seria muito inteligente atacá-la ao inaugurar um empreendimento por aqui. Mas inteligência não parece  ser o ponto forte de Hang, pois se assim fosse, ele como recém chegado na cidade não elegeria como principal inimigo o coração da mesma. O que Luciano Hang possui em abundância é dinheiro, mas esse dinheiro não o fará enxergar, muito menos desempenhar o papel determinante que Universidade Federal de Santa Maria possui na a cidade, no estado, no país. Papel determinante que desempenhou e desempenha na vida dos quase 180 mil estudantes que aqui se formaram e por inúmeros outros que por aqui passarão.

Colunas

Márcia Paraíso é a Atração do Narrativas em  Movimento

A TV OVO realiza anualmente dois colóquios para falar  sobre temas diversos no audiovisual, o primeiro colóquio  com o tema: Memória e Território Indígena teve como  convidado o cineasta indigenista, Vincent Carelli. O último  colóquio deste ano tem como tema: Identidade no  Audiovisual, a convidada será a jornalista e cineasta  Márcia Paraíso, que tem uma trajetória de mais de 25  anos na produção documental, tendo produzido  documentários para a RBS TV e para TV Brasil. As 3  sessões de quinta do Cineclube da Boca marcam o início  do colóquio que será encerrado dia 21 de novembro  numa conversa com a cineasta. A conversa  provavelmente será mediada por Tayná Lopes, bacharel  em jornalismo pela UFN e integrante da TV OVO. O local  do evento será o auditório da CESMA, dia 21 de  novembro com início às 20 horas, entrada franca. A  exibição do filme Terra Cabocla.

Para quem acompanhou a primeira edição do Narrativas  em Movimento este ano, o segundo colóquio pode  parecer uma continuação ou até repetição do primeiro.  Por mais que haja o anseio por novidade, a questão do  audiovisual voltado para minorias sociais é algo que  deveria ser debatido frequentemente. O longa Terra  Cabocla fala sobre o a população cabocla do sudoeste  catarinense, que quase foi massacrada na Guerra do  Contestado. Junto com as tragédias do conflito, estavam a  cobiça de fazendeiros e do estado pelas terras que os  caboclos ocupavam. A expectativa é que o filme, consiga,  em menos de uma hora e meia, mais do que a maioria das  pessoas aprendeu em toda sua vida sobre essa questão,  se é que sabem. Além disso, o filme será um dos três  cartões de visitas de Márcia Paraíso para os  frequentadores do Cineclube, se eles não se sentirem  atraídos, não foi por falta de tentativa.

SMVC Como Palanque: Tiro de Largada Foi  Dado

Arte e política são indissociáveis. A primeira reflete e não  raro, consegue modificar a segunda. Um caso que ilustra  essa relação, não no seu sentido mais poético, mas em um  dos mais pragmáticos foi encerramento do Santa Maria  Vídeo e Cinema (SMVC), que deu largada para a corrida  eleitoral do próximo ano. Se o CINEST contou com a  presença de Charles Chaplin e Marilyn Monroe, o SMVC  começou da forma mais caudilha possível, com a exibição do  filme Legalidade e ainda contou com a presença do  protagonista do filme, sim, Leonel Brizola estava lá. Mas era  o Leonel das telas, interpretado na sua fase final da vida por  Sapiran Brito, que em 2016 concorreu à prefeitura de Bagé  pelo PDT. A abertura do festival evoca aquele clichê de que  a vida imita a arte e etc. mas, seu encerramento nos traz de  volta para a realidade. Na data de encerramento, Luciano  Guerra, pré-candidato do PT ao cargo de prefeito de Santa  Maria, teve uma fala no evento e, obviamente a aproveitou  para fazer o self-marketing, já deixando uma promessa: a de  incluir o SMVC no calendário de cultura nacional.

A proposta com certeza é interessante e merece atenção, no  entanto, os participantes do festival, aqueles que se  empenharam, idealizaram, conceberam, finalizaram os seus  projetos e que passam pelo martírio de produzir cultura no  Brasil contemporâneo não se sentiram muito à vontade com  a presença de Guerra. Um dos motivos que eles apontaram  foi a falta de vínculo do pré-candidato com o festival, que só  apareceu no final, deixando nítido que o interesse ali não era  no projetor, mas sim no microfone. Sorte do Guerra que  Sapiran não estava lá, pois não sei se ele engoliria esse sapo  barbudo.

Uma Volta Para o Recorde

No GP dos Estados Unidos, Lewis Hamilton chegou ao seu  sexto título mundial, ultrapassando a lenda argentina,  Juan Manuel Fangio, que tem cinco títulos e está a um  título de se igualar a Michael Schumacher, com sete. Em  2006, quando o piloto alemão se aposentou (pela primeira  vez) parecia que ninguém chegaria perto de alcançar seu  feito histórico. Mas Hamilton está muito próximo,  inclusive pode ultrapassá-lo.

Schumacher saiu da Ferrari com 37 anos, mesmo com sua  idade elevada foi vice-campeão mundial, perdendo para o  jovem, promissor e problemático Fernando Alonso. Em  2007, chegou a vez de Alonso, já bicampeão mundial e  considerado na época (e por alguns até hoje) o melhor  piloto de sua geração, encontrar um jovem, promissor e  problemático, bom… problemático para ele.

Na sua estreia pela McLaren, Hamilton só não foi campeão  mundial por cometer um erro crasso na última corrida do  campeonato, o título que estava entre ele e Alonso acabou indo  para a “zebra” da disputa, Kimi Raikonnen. Hamilton correu 12  temporadas, foi campeão em metade delas, é o único piloto que  em todos os anos venceu ao menos uma corrida, é o piloto com  mais pole positions na história da F-1, é o segundo piloto com  mais vitórias e mais pódios, atrás apenas de Schumacher, mas o  inglês deve atingir a liderança nesses quesitos na próxima  temporada.

Hamilton tem 34 anos e ao que tudo indica, fará como  Schumacher e chegará aos 37 disputando o título. O último título  de Schumacher, foi em 2004, na época ele tinha 35 anos,  Hamilton ano que vem fará 35 anos e, o carro da Mercedes tende  a dominar o grid ano que vem. Se não dominar, deve fornecer  condições para os pilotos disputarem o título, o que já é mais do  que o suficiente para o piloto, que em números, é o melhor piloto  da sua geração, com folga.

Trabalho em Grupo

“O homem é bom, a sociedade que o corrompe”. Uma das maiores provas de que Rousseau estava certo é o trabalho em grupo. Nunca começa bem, quando termina parece que está no começo. Viver em sociedade já é difícil, com a pressão de realizar uma tarefa então, torna essa via crucis uma infinita highway. Por isso, frequentemente os integrantes do grupo têm uma crise de Alzheimer coletiva e esquecem um do outro. O Alzheimer coletivo, na verdade, é a única coisa que funciona bem em trabalhos em grupo. Com Serginho e Dadá não foi diferente. Momentos antes de apresentar o trabalho, os nervos estavam à flor da pele.

Sérginho (13:06:32) – “Tremenda bola nas costas da PF (Patrícia Fernandes)”

Sérginho (13:06:42) – “Vai parecer afronta”

Dadá (13:47:56) – “Falei com Pelella (outro membro do grupo) […] ele disse que as coisas certamente se acalmarão”.

Sérginho é o líder do grupo. Tem um trabalho a fazer e não aceita ser contrariado, é daqueles que quando não sabe o que dizer acaba inventando, muitos o admiram por isso, outros não acham tão legal. Dadá é um grande amigo do Sérginho, admira ele, faz os slides no Power Point e acalma Sérginho quando as coisas não vão bem, como naquele dia que ele estava irritado com a companheira de grupo, Patrícia Fernandes, ou PF. Segue o diálogo:

Sérginho (16:07:48) – “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora.

Dadá (16:13:02) – “Concordo. E sei que você, de todos nós, está debaixo de maior pressão […]. As coisas vão se acalmar. É um momento de ânimos exaltados. Nós faremos tudo o que for necessário para defender você.

E assim eles foram seguindo seu trabalho, Sérginho comprando as brigas, Dadá sempre o defendendo e aperfeiçoando seus slides. Amizade bonita de se ver, eram como Batman e Superman, juntos eram os líderes daquele grupo, que chamaremos de Liga da Justiça. E assim a Liga da Justiça foi, literalmente, fazer seu trabalho, encararam o trabalho como seu grande inimigo e, como se sabe, um dos maiores inimigos da Liga é o Sindicato do Crime. E saíram vitoriosos, acabaram com esse sindicato, prenderam seu líder e até agora seus companheiros não conseguiram libertá-lo. Parecia o final feliz que Sérginho e Dadá tanto sonhavam, mas essa história é um pouco mais real do que as HQ’s.

Quando mais uma vez o dia parecia ter sido salvo por Sérginho e Dadá, Verdevaldo, que se fosse um personagem seria o J. Jonah Jameson, um sujeito que gosta de notícias, mas não é muito fã de super-heróis, trouxe à tona algumas conversas da dupla, conversas extraídas de vários telegramas que eles trocavam. Essas conversas mostravam que Sérginho, na aflição de terminar seu trabalho, acabou inventando algumas coisas na apresentação, junto com Dadá que nunca deixaria o amigo na mão. Pareciam que os heróis viveram tempo suficiente para serem considerados vilões, culpa do trabalho em grupo, ele sempre corrompe. Sérginho como Superman, usou a sua visão de raio-x para enxergar o que ninguém mais via e, Dadá, como Batman usou todo seu conhecimento em artes marciais para aplicar vários golpes.

Depois desse baque o grupo, como todos os grupos, se separou, nem a amizade de Sérginho e Dadá conseguiu resistir aos trabalhos em grupos. Sérginho foi o que ficou mais ressentido. Esses dias, por exemplo, encontrou Dadá lá no DF (Dona Francisca), restaurante com desconto para estudante, local onde sempre iam para tomar uma Pepsi depois da aula. Dadá se levantou, certo de que naquele ambiente nostálgico, Sérginho o cumprimentaria e a velha amizade seria retomada. Mas, Sérginho, usou outro poder do Homem de Aço- a supervelocidade para fugir de Dadá e ir se encontrar com seus novos amigos, afim de tomar um suco de laranja.

Nem a criptonita é faz tanto mal quanto um trabalho em grupo.

Notícia Que Inspirou a Crônica

Ameaçar a Universidade é Ameaçar Também Nossa Cidade

O governo anunciou o corte de mais de 5600 bolsas CAPES, usadas em pesquisas na pós-graduação. A concessão de novas bolsas pelo CNPQ, outro órgão que financia pesquisa foi suspensa em julho e a partir deste mês, os atuais bolsistas correm risco de não receberem mais suas bolsas. Os cortes devem gerar uma economia de R$ 37 milhões de reais para este ano e, para os próximos quatro, um valor de aproximadamente de R$ 544 milhões. Enquanto isso, o reajuste salarial para as forças armadas custará quase R$ 4,75 bilhões, valor oito vezes maior do que o da economia prevista com as bolsas pelos próximos quatro anos, o que prejudicará uma geração inteira de pesquisadores. Economia de futuro, essa é a nova política econômica do país, onde as medidas de austeridade são aplicadas somente na educação.

Desse modo, a já escassa produção de ciência e tecnologia nacional sofre ainda mais. Um exemplo é Gabriela Pinheiro, pesquisadora da UFRJ que estuda o potencial do vírus zika no tratamento de um tipo de tumor cerebral. Atualmente, ela teve sua bolsa congelada e, não possui condições de dar continuidade a seus projetos, assim como outros milhares de pesquisadores. No campo das pesquisas, a UFSM será uma das instituições mais prejudicadas por estes cortes, pois o Rio Grande do Sul foi o segundo estado com mais cortes nas bolsas de pesquisa, “perdendo” apenas para São Paulo.  Aqui na UFSM, em junho deste ano iniciou-se um projeto para detectar as lesões o DNA causadas pela radiação ultravioleta. Por meio desse método é possível avaliar a eficácia dos protetores solares, ferramenta fundamental no combate ao câncer de pele, que responde por quase um terço de todos os casos de câncer do país.

Além da saúde, outra área ameaçada, principalmente no município de Santa Maria é a economia. A alcunha de “cidade universitária” já mostra a importância da universidade no campo econômico, já que mais de 10% da população da cidade está matriculada na universidade. Com o corte das bolsas, o fim das refeições subsidiadas no restaurante universitário, que dentro de 45 dias só atenderá os que possuem benefício socioeconômico, a permanência dos alunos na instituição será certamente dificultada e até inviabilizada. Com grande parcela dos universitários precisando apertar os cintos, alguns até indo embora, a cidade e espaços voltados para os universitários podem deixar de arrecadar. Os proprietários e funcionários desse espaço também sentirão no bolso os efeitos do que à princípio só afetaria a universidade. Isso sem falar no quanto essa evasão é prejudicial para gerar mão-de-obra qualificada, elemento essencial para alancar a economia da cidade, do estado e do país.

O esmagamento da ciência nacional, os cortes nas universidades e institutos federais são prejudiciais para todo o país e, nosso município, por estar intrinsecamente ligado a universidade, irá sofrer ainda mais. Defender a nossa universidade, seu ensino, sua pesquisa e extensão é dever de todo o cidadão santa-mariense. As formas são variadas, greve, manifestações, ou até mover uma ação contra o presidente, como fez uma deputada federal, o importante é que se faça algo e que seja feito imediatamente.

A Melhor Versão de Um Velho Conhecido

Riffs enérgicos, baladas marcantes e uma voz inconfundível, essa foi a receita do Oasis para entrar na história do rock. Dez anos após o fim da banda, Liam Gallagher repete essa receita em seu segundo trabalho solo, trazendo um álbum com músicas mais enxutas e enérgicas do que seu álbum de 2017 “As You Were”, que chegou a ser líder de vendas no Reino Unido.

“Why Me? Why Not.” consegue mesclar elementos dos maiores álbuns do Oasis- a energia do álbum de estreia, lançado em 1994, “Definitely Maybe” e as baladas mais elaboradas do segundo, lançado em 1995, “(What’s the Story?) Morning Glory ”, ambos sempre estão entre os melhores álbuns de rock da década de 1990. A sonoridade do álbum apresenta pitadas de britpop e psicodelia, mesmo assim não soa como um disco datado. Isso se deve ao trabalho dos produtores e coautores do disco: Greg Kurstin, que produziu Beck, Foo Fighters e vários outros, e o Andrew Wyatt, ex-Libertines, que é um dos autores de “Shallow”, música que ganhou o Oscar de melhor canção original este ano, os novamente conseguiram encontrar o equilíbrio entre o britpop da década de 90 e o pop contemporâneo, o que certamente agradará os admiradores antigos e irá atrair novos.

O segundo álbum da carreira solo de Liam apresenta músicas mais curtas e um melhor equilíbrio entre faixas enérgicas e as baladas melancólicas, mostrando que mesmo se mantendo na sua zona de conforto que é a sonoridade dos anos 90, o mais novo dos irmãos Gallagher ainda é capaz de surpreender e lançar um dos melhores álbuns desse ano. Após o fim do Oasis, muitos apontavam sem dúvida alguma que quem teria uma carreira solo melhor sucedida seria Noel, seu irmão, guitarrista e compositor da banda. Apesar de continuar trabalhando a todo vapor, a sonoridade mais experimental de Noel Gallagher acaba não agradando tanto os velhos fãs. Se há dez anos alguém dissesse a Liam Gallagher que ele conseguiria contrariar as expectativas e ter uma carreira solo de mais destaque que seu irmão, ele provavelmente diria: Why Me? Why Not.

Genocídio de Árvores em Santa Maria

Em menos de um mês houve dois casos de derrubada de árvores no município, os dois casos têm o envolvimento da Rio Grande Energia (RGE). O outro primeiro caso ocorreu na localidade de Sarandi, onde uma caminhonete da RGE chegou e começou a derrubar árvores nativas e de grande porte. Contudo, as árvores derrubadas não ofereciam perigo algum para a rede elétrica, inclusive estavam do lado oposto à rede. O Ibama notificou a RGE, exigindo manifestação por parte da empresa. O caso mais recente decorreu na rua do Rosário, onde 17 árvores foram derrubadas sem nenhum aviso prévio, deixando duas quadras que, segundo os moradores, “formavam um túnel verde” sem árvore alguma.

O curioso é que sobre os dois casos a empresa afirmou que tinha autorização da Fepam e ainda argumentou que a supressão das árvores “faz parte das ações de manutenção ambiental da rede elétrica realizadas de maneira contínua pela distribuidora.”  Porém, no caso do Rosário caíram críticas sobre a prefeitura também, pois moradores afirmam que foram diversas vezes até a Secretaria do Meio Ambiente, fazer o pedido de poda das árvores, inclusive há um pedido registrado desde outubro de 2018. A RGE alega que havia notificado a prefeitura, enquanto a prefeitura rebate afirmando que não recebeu nenhuma notificação. Ainda assim, a prefeitura reconheceu que a Fepam pode emitir licenças, mas que geralmente encaminha esses casos para a legislação urbana. Moradores afirmaram que vão investigar afim de verificar se houve negligência das duas partes. Não me parece uma questão sobre haver negligências, mas sim sobre quem foi mais negligente.

De um lado, a morosidade tradicional do poder público, que pelas afirmações foi notificado tanto pelos moradores quanto pela empresa. Do outro lado, a imprudência da empresa que, não esperou o aval da prefeitura e mesmo afirmando ter licença, demonstrou imperícia na supressão das árvores e não esclareceu questionamentos dos moradores como quem irá tirar as raízes, quem fará o transplante de árvores, que tipo de árvores serão usadas. Essa grande falha de comunicação entre as esferas pública e privada, acaba afetando novamente o cidadão, além do dano ambiental, a rua perdeu parte da sua beleza que orgulhava os moradores, fato esse que pode acarretar uma desvalorização dos domicílios da área.

No final do ano passado a RGE firmou com a prefeitura um convênio de arborização segura, fato que diante deste “extermínio” parece até irônico. É preciso que essa relação conturbada entre prefeitura e empresa seja resolvida, caso o contrário mais cidadãos pagarão o preço dessa confusão. Questões sobre o que será feito com os restos das árvores podadas e até um eventual reflorestamento interessam aos moradores das localidades afetadas, mas a pressão não deve partir apenas dessas partes, o esclarecimento deste possível crime ambiental é de interesse de todo o cidadão santamariense.

O Grave Incêndio Diplomático do Brasil

Quase diariamente o atual governo surge com alguma nova polêmica. A diferença, no entanto, é que no último mês os olhos do mundo inteiro se voltaram para o Brasil e o nosso maior tesouro, a floresta amazônica, virou pauta na mesa das principais potências mundiais. O presidente francês, Emmanuel Macron sugeriu que a internacionalização da floresta amazônica pode ser debatida futuramente, caso a situação se agrave. O governo, os militares e parte da população interpretaram isso como um ataque direto a soberania brasileira. Diante dessa situação, o presidente reagiu proferindo insultos ao primeiro ministro francês e até a sua esposa, criando um mal-estar diplomático desnecessário entre os dois países.

Diplomacia é uma palavra que caiu em desuso no governo Bolsonaro. Insultos, insinuações, achismos, frases e comentários impensados, esta é a forma com a qual o presidente se comunica no espectro político nacional e agora internacional. Antes dos ataques a França, Alemanha e Noruega também foram alvos das declarações polêmicas do presidente. Quando a Alemanha retirou R$ 155 milhões do Fundo Amazônia, Bolsonaro afirmou que o investimento era uma forma de “comprar a Amazônia em prestações” e disse que a primeira ministra alemã, Angela Merkel deveria usar o dinheiro para reflorestar o próprio país. Com a Noruega, que também anunciou a retirada de investimento no Fundo Amazônia, num montante de R$ 133 milhões, o presidente afirma que o país promove caça de baleias não teria “nada a nos oferecer”. Tais afirmações além de ruidosas, são geralmente mentirosas. O vídeo que serve como prova da caça às baleias é de um evento que ocorreu na Dinamarca, onde os jornais dinamarqueses também criticaram duramente o presidente por disseminar “fake news”. As florestas norueguesas crescem, em média 15 milhões de m³ por ano, enquanto a Alemanha refloresta praticamente o dobro do que derruba.

 Em pleno governo, o presidente mantém o clima de guerra que promoveu durante a campanha, justificando as críticas de Macron pelo fato de ele ser “de esquerda”, enquanto Emmanuel Macron foi eleito pelo partido de centro-direita “En marche!” ou “Em marcha!”. A impressão que o presidente deixa é que cada palavra que sai da sua boca deve passar por um processo de fact checking, nestes quase nove meses de governo a reputação do Brasil perante o mundo vai gradualmente se degradando e a questão da Amazônia reforça o quanto este desastre diplomático prejudica e ainda pode prejudicar o país. Para se opor a isto, é imprescindível que a população exija que o Presidente da República se comporte com dignidade condizente com o cargo que ocupa, que exija retratação pelas declarações estapafúrdias e caluniadoras que vem proferindo. Mais do que exigir retratação é preciso mostrar que suas palavras não representam o povo brasileiro, um exemplo disso são as tags #PardonBrigitte e #DesculpaBrigitte que foram o meio pelo qual os brasileiros que repudiaram a fala do presidente encontraram para mostrar a primeira-dama francesa que nem todo o brasileiro pensa e age desta maneira.

É importante ressaltar que o que está em jogo não é a reputação do presidente ou de qualquer outra personalidade política, mas a reputação do Brasil, que dia após dia se esvai. Essa imagem nefasta que estamos construindo não se apaga como um comentário inconsequente em uma rede social, nem irá desaparecer junto com o governo, levará muitos anos até ser reconstruída. A função dos brasileiros é exercer voz ativa e proteger as riquezas naturais e a reputação do Brasil diante de todas as ameaças, sejam elas externas ou internas.

Apocalypse Now Tupiniquim

Se inicia um novo capítulo na história da “nova era” brasileira: O Dia do Fogo. Assim passará a ser conhecido o dia 10 de agosto, data em que vários produtores rurais, incentivados por palavras e atos do presidente da república resolveram, de forma sincronizada, atear fogo em várias pastagens no entorno da BR-163. Resultado? O município de Novo Progresso teve um aumento de 300% nos focos de incêndio, o município de Altamira teve um aumento de 743% nos focos do incêndio.  Esse é apenas o começo do cenário apocalíptico que tomou conta da Floresta Amazônica nas últimas semanas.

 Em Rondônia, outro estado abrangido pela floresta amazônica o cenário foi ainda pior. Queimadas na reserva ambiental Margarida Dias- que pegou fogo por 20 dias e até na capital, Porto Velho, deixou o estado coberto de fumaça, fazendo com que unidades de saúde ficassem superlotadas devido a casos de problemas respiratórios. O número de atendimentos chegou a triplicar no hospital Cosme e Damião que atende a todo o estado. Mais tarde essa mesma fumaça chegou até a maior cidade do país, fazendo São Paulo anoitecer às 15 horas. A repercussão desta catástrofe ambiental no telejornal mais renomado do país foi extremamente rasa, ao invés de priorizar o acontecimento e as consequências que essa tragédia trará, não só para nós, mas para as futuras gerações, o programa preferiu usar o ocorrido como gancho para reforçar a forte polarização política do país, ligando o evento atual a governos anteriores.

Não há dúvidas que o sofrimento da Amazônia não começou no dia em que Bolsonaro recebeu as chaves do Palácio da Alvorada, mas é notável o quanto os casos de desmatamento e queimadas dispararam em seu mandato. E isso não é apenas uma infeliz coincidência. Ao não aceitar os dados do INPE e, posteriormente demitir o diretor do instituto que apenas defendeu que os dados coletados sob rigorosa metodologia científica eram verídicos e extremamente preocupantes. Apenas isso já seria um tremendo absurdo. Mas, como todos sabem: não há nada tão ruim que não possa piorar. O presidente ironizou as críticas por suas políticas ambientais, se autodenominando o “Capitão Motosserra”. Talvez ele desconheça o significado de ironia, pois o número de queimadas em Rondônia aumentou 190% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de queimadas mais que dobrou em relação ao ano passado e já é o maior em cinco anos. Os incêndios na Amazônia corresponderam a mais de 60% dos incêndios do mês de agosto, o maior índice já medido pelo INPE. Nota-se a falta de intimidade do presidente com o uso de evidências, pois ao mesmo tempo que recusa os dados concretos que lhe são apresentados, ele sem evidência alguma, atribui a culpa dos incêndios as ONGs. Tamanha imaturidade e inconsequência, minimiza o dano ambiental dessas queimadas e prejudica ainda mais a imagem do Brasil perante o mundo.

Não é preciso usar as queimadas na Amazônia para colocar mais lenha na fogueira da polarização política que paira sobre o país. Afinal, podemos apontar culpados que agradem tanto a gregos quanto a troianos. Já que apesar do dia do fogo ter sido iniciado por fazendeiros, o incêndio da reserva ambiental de Rondônia se iniciou numa reserva do MST.    No entanto, os coordenadores do MST culpam invasores e madeireiros pelo incêndio.

Que os leitores elejam seus culpados, pois eu já escolhi o meu lado, meu lado é a Amazônia, sua flora, sua fauna, a importância dela para nós, para o mundo, para o futuro. Logo, me oponho e me entristeço profundamente com esse desastre e deixo meu repúdio a todos que de alguma forma contribuíram  para que isso acontecesse, seja um presidente que desacredita e ironiza os fatos ou um telejornal, que  mesmo contando com os dos jornalistas mais gabaritados do país , tenha que ser lembrado por internautas do seu papel: noticiar os acontecimentos e não justificar erros atuais com erros do passado.

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