Se inicia um novo capítulo na história da “nova era” brasileira: O Dia do Fogo. Assim passará a ser conhecido o dia 10 de agosto, data em que vários produtores rurais, incentivados por palavras e atos do presidente da república resolveram, de forma sincronizada, atear fogo em várias pastagens no entorno da BR-163. Resultado? O município de Novo Progresso teve um aumento de 300% nos focos de incêndio, o município de Altamira teve um aumento de 743% nos focos do incêndio. Esse é apenas o começo do cenário apocalíptico que tomou conta da Floresta Amazônica nas últimas semanas.
Em Rondônia, outro estado abrangido pela floresta amazônica o cenário foi ainda pior. Queimadas na reserva ambiental Margarida Dias- que pegou fogo por 20 dias e até na capital, Porto Velho, deixou o estado coberto de fumaça, fazendo com que unidades de saúde ficassem superlotadas devido a casos de problemas respiratórios. O número de atendimentos chegou a triplicar no hospital Cosme e Damião que atende a todo o estado. Mais tarde essa mesma fumaça chegou até a maior cidade do país, fazendo São Paulo anoitecer às 15 horas. A repercussão desta catástrofe ambiental no telejornal mais renomado do país foi extremamente rasa, ao invés de priorizar o acontecimento e as consequências que essa tragédia trará, não só para nós, mas para as futuras gerações, o programa preferiu usar o ocorrido como gancho para reforçar a forte polarização política do país, ligando o evento atual a governos anteriores.
Não há dúvidas que o sofrimento da Amazônia não começou no dia em que Bolsonaro recebeu as chaves do Palácio da Alvorada, mas é notável o quanto os casos de desmatamento e queimadas dispararam em seu mandato. E isso não é apenas uma infeliz coincidência. Ao não aceitar os dados do INPE e, posteriormente demitir o diretor do instituto que apenas defendeu que os dados coletados sob rigorosa metodologia científica eram verídicos e extremamente preocupantes. Apenas isso já seria um tremendo absurdo. Mas, como todos sabem: não há nada tão ruim que não possa piorar. O presidente ironizou as críticas por suas políticas ambientais, se autodenominando o “Capitão Motosserra”. Talvez ele desconheça o significado de ironia, pois o número de queimadas em Rondônia aumentou 190% em relação ao mesmo período do ano passado. O número de queimadas mais que dobrou em relação ao ano passado e já é o maior em cinco anos. Os incêndios na Amazônia corresponderam a mais de 60% dos incêndios do mês de agosto, o maior índice já medido pelo INPE. Nota-se a falta de intimidade do presidente com o uso de evidências, pois ao mesmo tempo que recusa os dados concretos que lhe são apresentados, ele sem evidência alguma, atribui a culpa dos incêndios as ONGs. Tamanha imaturidade e inconsequência, minimiza o dano ambiental dessas queimadas e prejudica ainda mais a imagem do Brasil perante o mundo.
Não é preciso usar as queimadas na Amazônia para colocar mais lenha na fogueira da polarização política que paira sobre o país. Afinal, podemos apontar culpados que agradem tanto a gregos quanto a troianos. Já que apesar do dia do fogo ter sido iniciado por fazendeiros, o incêndio da reserva ambiental de Rondônia se iniciou numa reserva do MST. No entanto, os coordenadores do MST culpam invasores e madeireiros pelo incêndio.
Que os leitores elejam seus culpados, pois eu já escolhi o meu lado, meu lado é a Amazônia, sua flora, sua fauna, a importância dela para nós, para o mundo, para o futuro. Logo, me oponho e me entristeço profundamente com esse desastre e deixo meu repúdio a todos que de alguma forma contribuíram para que isso acontecesse, seja um presidente que desacredita e ironiza os fatos ou um telejornal, que mesmo contando com os dos jornalistas mais gabaritados do país , tenha que ser lembrado por internautas do seu papel: noticiar os acontecimentos e não justificar erros atuais com erros do passado.