Quase diariamente o atual governo surge com alguma nova polêmica. A diferença, no entanto, é que no último mês os olhos do mundo inteiro se voltaram para o Brasil e o nosso maior tesouro, a floresta amazônica, virou pauta na mesa das principais potências mundiais. O presidente francês, Emmanuel Macron sugeriu que a internacionalização da floresta amazônica pode ser debatida futuramente, caso a situação se agrave. O governo, os militares e parte da população interpretaram isso como um ataque direto a soberania brasileira. Diante dessa situação, o presidente reagiu proferindo insultos ao primeiro ministro francês e até a sua esposa, criando um mal-estar diplomático desnecessário entre os dois países.
Diplomacia é uma palavra que caiu em desuso no governo Bolsonaro. Insultos, insinuações, achismos, frases e comentários impensados, esta é a forma com a qual o presidente se comunica no espectro político nacional e agora internacional. Antes dos ataques a França, Alemanha e Noruega também foram alvos das declarações polêmicas do presidente. Quando a Alemanha retirou R$ 155 milhões do Fundo Amazônia, Bolsonaro afirmou que o investimento era uma forma de “comprar a Amazônia em prestações” e disse que a primeira ministra alemã, Angela Merkel deveria usar o dinheiro para reflorestar o próprio país. Com a Noruega, que também anunciou a retirada de investimento no Fundo Amazônia, num montante de R$ 133 milhões, o presidente afirma que o país promove caça de baleias não teria “nada a nos oferecer”. Tais afirmações além de ruidosas, são geralmente mentirosas. O vídeo que serve como prova da caça às baleias é de um evento que ocorreu na Dinamarca, onde os jornais dinamarqueses também criticaram duramente o presidente por disseminar “fake news”. As florestas norueguesas crescem, em média 15 milhões de m³ por ano, enquanto a Alemanha refloresta praticamente o dobro do que derruba.
Em pleno governo, o presidente mantém o clima de guerra que promoveu durante a campanha, justificando as críticas de Macron pelo fato de ele ser “de esquerda”, enquanto Emmanuel Macron foi eleito pelo partido de centro-direita “En marche!” ou “Em marcha!”. A impressão que o presidente deixa é que cada palavra que sai da sua boca deve passar por um processo de fact checking, nestes quase nove meses de governo a reputação do Brasil perante o mundo vai gradualmente se degradando e a questão da Amazônia reforça o quanto este desastre diplomático prejudica e ainda pode prejudicar o país. Para se opor a isto, é imprescindível que a população exija que o Presidente da República se comporte com dignidade condizente com o cargo que ocupa, que exija retratação pelas declarações estapafúrdias e caluniadoras que vem proferindo. Mais do que exigir retratação é preciso mostrar que suas palavras não representam o povo brasileiro, um exemplo disso são as tags #PardonBrigitte e #DesculpaBrigitte que foram o meio pelo qual os brasileiros que repudiaram a fala do presidente encontraram para mostrar a primeira-dama francesa que nem todo o brasileiro pensa e age desta maneira.
É importante ressaltar que o que está em jogo não é a reputação do presidente ou de qualquer outra personalidade política, mas a reputação do Brasil, que dia após dia se esvai. Essa imagem nefasta que estamos construindo não se apaga como um comentário inconsequente em uma rede social, nem irá desaparecer junto com o governo, levará muitos anos até ser reconstruída. A função dos brasileiros é exercer voz ativa e proteger as riquezas naturais e a reputação do Brasil diante de todas as ameaças, sejam elas externas ou internas.