Em menos de um mês houve dois casos de derrubada de árvores no município, os dois casos têm o envolvimento da Rio Grande Energia (RGE). O outro primeiro caso ocorreu na localidade de Sarandi, onde uma caminhonete da RGE chegou e começou a derrubar árvores nativas e de grande porte. Contudo, as árvores derrubadas não ofereciam perigo algum para a rede elétrica, inclusive estavam do lado oposto à rede. O Ibama notificou a RGE, exigindo manifestação por parte da empresa. O caso mais recente decorreu na rua do Rosário, onde 17 árvores foram derrubadas sem nenhum aviso prévio, deixando duas quadras que, segundo os moradores, “formavam um túnel verde” sem árvore alguma.
O curioso é que sobre os dois casos a empresa afirmou que tinha autorização da Fepam e ainda argumentou que a supressão das árvores “faz parte das ações de manutenção ambiental da rede elétrica realizadas de maneira contínua pela distribuidora.” Porém, no caso do Rosário caíram críticas sobre a prefeitura também, pois moradores afirmam que foram diversas vezes até a Secretaria do Meio Ambiente, fazer o pedido de poda das árvores, inclusive há um pedido registrado desde outubro de 2018. A RGE alega que havia notificado a prefeitura, enquanto a prefeitura rebate afirmando que não recebeu nenhuma notificação. Ainda assim, a prefeitura reconheceu que a Fepam pode emitir licenças, mas que geralmente encaminha esses casos para a legislação urbana. Moradores afirmaram que vão investigar afim de verificar se houve negligência das duas partes. Não me parece uma questão sobre haver negligências, mas sim sobre quem foi mais negligente.
De um lado, a morosidade tradicional do poder público, que pelas afirmações foi notificado tanto pelos moradores quanto pela empresa. Do outro lado, a imprudência da empresa que, não esperou o aval da prefeitura e mesmo afirmando ter licença, demonstrou imperícia na supressão das árvores e não esclareceu questionamentos dos moradores como quem irá tirar as raízes, quem fará o transplante de árvores, que tipo de árvores serão usadas. Essa grande falha de comunicação entre as esferas pública e privada, acaba afetando novamente o cidadão, além do dano ambiental, a rua perdeu parte da sua beleza que orgulhava os moradores, fato esse que pode acarretar uma desvalorização dos domicílios da área.
No final do ano passado a RGE firmou com a prefeitura um convênio de arborização segura, fato que diante deste “extermínio” parece até irônico. É preciso que essa relação conturbada entre prefeitura e empresa seja resolvida, caso o contrário mais cidadãos pagarão o preço dessa confusão. Questões sobre o que será feito com os restos das árvores podadas e até um eventual reflorestamento interessam aos moradores das localidades afetadas, mas a pressão não deve partir apenas dessas partes, o esclarecimento deste possível crime ambiental é de interesse de todo o cidadão santamariense.