Ameaçar a Universidade é Ameaçar Também Nossa Cidade

O governo anunciou o corte de mais de 5600 bolsas CAPES, usadas em pesquisas na pós-graduação. A concessão de novas bolsas pelo CNPQ, outro órgão que financia pesquisa foi suspensa em julho e a partir deste mês, os atuais bolsistas correm risco de não receberem mais suas bolsas. Os cortes devem gerar uma economia de R$ 37 milhões de reais para este ano e, para os próximos quatro, um valor de aproximadamente de R$ 544 milhões. Enquanto isso, o reajuste salarial para as forças armadas custará quase R$ 4,75 bilhões, valor oito vezes maior do que o da economia prevista com as bolsas pelos próximos quatro anos, o que prejudicará uma geração inteira de pesquisadores. Economia de futuro, essa é a nova política econômica do país, onde as medidas de austeridade são aplicadas somente na educação.

Desse modo, a já escassa produção de ciência e tecnologia nacional sofre ainda mais. Um exemplo é Gabriela Pinheiro, pesquisadora da UFRJ que estuda o potencial do vírus zika no tratamento de um tipo de tumor cerebral. Atualmente, ela teve sua bolsa congelada e, não possui condições de dar continuidade a seus projetos, assim como outros milhares de pesquisadores. No campo das pesquisas, a UFSM será uma das instituições mais prejudicadas por estes cortes, pois o Rio Grande do Sul foi o segundo estado com mais cortes nas bolsas de pesquisa, “perdendo” apenas para São Paulo.  Aqui na UFSM, em junho deste ano iniciou-se um projeto para detectar as lesões o DNA causadas pela radiação ultravioleta. Por meio desse método é possível avaliar a eficácia dos protetores solares, ferramenta fundamental no combate ao câncer de pele, que responde por quase um terço de todos os casos de câncer do país.

Além da saúde, outra área ameaçada, principalmente no município de Santa Maria é a economia. A alcunha de “cidade universitária” já mostra a importância da universidade no campo econômico, já que mais de 10% da população da cidade está matriculada na universidade. Com o corte das bolsas, o fim das refeições subsidiadas no restaurante universitário, que dentro de 45 dias só atenderá os que possuem benefício socioeconômico, a permanência dos alunos na instituição será certamente dificultada e até inviabilizada. Com grande parcela dos universitários precisando apertar os cintos, alguns até indo embora, a cidade e espaços voltados para os universitários podem deixar de arrecadar. Os proprietários e funcionários desse espaço também sentirão no bolso os efeitos do que à princípio só afetaria a universidade. Isso sem falar no quanto essa evasão é prejudicial para gerar mão-de-obra qualificada, elemento essencial para alancar a economia da cidade, do estado e do país.

O esmagamento da ciência nacional, os cortes nas universidades e institutos federais são prejudiciais para todo o país e, nosso município, por estar intrinsecamente ligado a universidade, irá sofrer ainda mais. Defender a nossa universidade, seu ensino, sua pesquisa e extensão é dever de todo o cidadão santa-mariense. As formas são variadas, greve, manifestações, ou até mover uma ação contra o presidente, como fez uma deputada federal, o importante é que se faça algo e que seja feito imediatamente.

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