“O homem é bom, a sociedade que o corrompe”. Uma das maiores provas de que Rousseau estava certo é o trabalho em grupo. Nunca começa bem, quando termina parece que está no começo. Viver em sociedade já é difícil, com a pressão de realizar uma tarefa então, torna essa via crucis uma infinita highway. Por isso, frequentemente os integrantes do grupo têm uma crise de Alzheimer coletiva e esquecem um do outro. O Alzheimer coletivo, na verdade, é a única coisa que funciona bem em trabalhos em grupo. Com Serginho e Dadá não foi diferente. Momentos antes de apresentar o trabalho, os nervos estavam à flor da pele.
Sérginho (13:06:32) – “Tremenda bola nas costas da PF (Patrícia Fernandes)”
Sérginho (13:06:42) – “Vai parecer afronta”
Dadá (13:47:56) – “Falei com Pelella (outro membro do grupo) […] ele disse que as coisas certamente se acalmarão”.
Sérginho é o líder do grupo. Tem um trabalho a fazer e não aceita ser contrariado, é daqueles que quando não sabe o que dizer acaba inventando, muitos o admiram por isso, outros não acham tão legal. Dadá é um grande amigo do Sérginho, admira ele, faz os slides no Power Point e acalma Sérginho quando as coisas não vão bem, como naquele dia que ele estava irritado com a companheira de grupo, Patrícia Fernandes, ou PF. Segue o diálogo:
Sérginho (16:07:48) – “Continua sendo lambança. Não pode cometer esse tipo de erro agora.
Dadá (16:13:02) – “Concordo. E sei que você, de todos nós, está debaixo de maior pressão […]. As coisas vão se acalmar. É um momento de ânimos exaltados. Nós faremos tudo o que for necessário para defender você.
E assim eles foram seguindo seu trabalho, Sérginho comprando as brigas, Dadá sempre o defendendo e aperfeiçoando seus slides. Amizade bonita de se ver, eram como Batman e Superman, juntos eram os líderes daquele grupo, que chamaremos de Liga da Justiça. E assim a Liga da Justiça foi, literalmente, fazer seu trabalho, encararam o trabalho como seu grande inimigo e, como se sabe, um dos maiores inimigos da Liga é o Sindicato do Crime. E saíram vitoriosos, acabaram com esse sindicato, prenderam seu líder e até agora seus companheiros não conseguiram libertá-lo. Parecia o final feliz que Sérginho e Dadá tanto sonhavam, mas essa história é um pouco mais real do que as HQ’s.
Quando mais uma vez o dia parecia ter sido salvo por Sérginho e Dadá, Verdevaldo, que se fosse um personagem seria o J. Jonah Jameson, um sujeito que gosta de notícias, mas não é muito fã de super-heróis, trouxe à tona algumas conversas da dupla, conversas extraídas de vários telegramas que eles trocavam. Essas conversas mostravam que Sérginho, na aflição de terminar seu trabalho, acabou inventando algumas coisas na apresentação, junto com Dadá que nunca deixaria o amigo na mão. Pareciam que os heróis viveram tempo suficiente para serem considerados vilões, culpa do trabalho em grupo, ele sempre corrompe. Sérginho como Superman, usou a sua visão de raio-x para enxergar o que ninguém mais via e, Dadá, como Batman usou todo seu conhecimento em artes marciais para aplicar vários golpes.
Depois desse baque o grupo, como todos os grupos, se separou, nem a amizade de Sérginho e Dadá conseguiu resistir aos trabalhos em grupos. Sérginho foi o que ficou mais ressentido. Esses dias, por exemplo, encontrou Dadá lá no DF (Dona Francisca), restaurante com desconto para estudante, local onde sempre iam para tomar uma Pepsi depois da aula. Dadá se levantou, certo de que naquele ambiente nostálgico, Sérginho o cumprimentaria e a velha amizade seria retomada. Mas, Sérginho, usou outro poder do Homem de Aço- a supervelocidade para fugir de Dadá e ir se encontrar com seus novos amigos, afim de tomar um suco de laranja.
Nem a criptonita é faz tanto mal quanto um trabalho em grupo.
Notícia Que Inspirou a Crônica

